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Nossas Férias – Lima (Parte I): Um giro pela capital peruana

  • Foto do escritor: knoppglauco2
    knoppglauco2
  • 23 de dez. de 2022
  • 8 min de leitura

Atualizado: 26 de dez. de 2022



Planejando nossas férias já bem em cima da hora – com menos de 1 mês de antecedência –, nossa ideia original era passar 3 dias em São Paulo, outros 3 dias em Lima e partir para conhecer Cusco e Machu Picchu, em outros 5 dias mais.


Só que devido às dificuldades para conciliar a disponibilidade de voos em múltiplos trechos, as hospedagens e os ingressos para acessar a “cidade perdida dos Incas”, decidimos manter nosso plano para São Paulo e estender um pouco mais a nossa permanência em Lima, deixando Cusco e Machu Picchu para outra ocasião.


Confesso que fui resistente a essa ideia, já que, na minha cabeça, Lima seria apenas um lugar de passagem (como muita gente faz) e que o mais interessante do Peru estaria somente nas duas outras cidades. Puro engano! Optamos por ficar 5 dias completos na capital peruana, embora, pesquisando em vários sites de viagem, todo mundo recomendasse a permanência por no máximo 3 dias.


Estudando um pouco sobre o que fazer em Lima, descobrimos que a cidade oferece diversos parques, muito bonitos e bem cuidados, bons museus, um centro histórico muito interessante, sítios arqueológicos preservados e encravados em meio às construções urbanas, além, claro, de uma infinidade de restaurantes, muita comida de rua e mercados municipais nos quais são comercializados alimentos e refeições típicos da região.


Uma característica interessante de Lima é que por lá quase nunca chove e o tempo está quase sempre nublado. A temperatura costuma ser amena, não ultrapassando os 30º C no verão e dificilmente alcança temperaturas inferiores a 14º C no inverno. Além disso, de uma maneira geral, as ruas são bastante planas, seguras e com calçadas largas. Isso favorece bastante os passeios a pé pela cidade, em qualquer época do ano e basicamente em qualquer horário.


Vale dizer que a cidade é bastante “espalhada”, mas, para o viajante, boa parte dos pontos turísticos e dos serviços (hotéis, restaurantes, supermercados etc.) dos quais necessitamos estão concentrados em Miraflores (de classe média-alta, o mais procurado pelos turistas), em San Isidro (o mais sofisticado) e em Barranco (mais boêmio e descolado), três entre os mais de 40 distritos que formam a província de Lima. Há quem prefira ficar hospedado no centro histórico, mas acho mais “tumultuado”, mais distante dos outros pontos turísticos e com menor oferta de serviços do que os demais distritos citados.


De todo modo, quando precisar se deslocar por alguns quilômetros a mais, aconselho a tomar um Uber (os preços são bons) e a sair com bastante antecedência, pois o trânsito de Lima é caótico! Apesar das vias largas, todo mundo usa carro por lá, o que gera bastante engarrafamento e lentidão, especialmente nos horários de pico.


Ademais, a condução costuma ser um bocado agressiva – os carros fazem o que querem nos cruzamentos, os motoristas simplesmente jogam o carro para cima de outros, sem necessariamente ligarem a seta, e quase toda a comunicação é por buzina!


Um indício dessa loucura do trânsito da capital é que muitos veículos são amassados nas laterais, geralmente no lado do carona, evidenciando as batidas que ocorrem em meio a essa quase ausência de regras e de bons costumes dos motoristas que trafegam pela cidade.


Embora Lima seja uma cidade litorânea, boa parte de suas praias é considerada pouco atrativa para banho (mas é disputada por surfistas e praticantes de parapente), tanto pela temperatura (geladíssima!) das águas do Pacífico quanto pela predominância de rochas no lugar da faixa de areia. No entanto, a orla limenha e seu entorno, especialmente em Miraflores, é lindíssima e cheia de atrativos imperdíveis!


Miraflores


Além de bons empreendimentos gastronômicos como o La Mar (que tem unidade em São Paulo), o La Lucha Sangucheria (rede de ótimos sanduíches criollos), Mayta, Tanta (uma rede de restaurantes de comida a bons preços do chef Gastón Acurio), Panchita (outro do Gastón Acurio), El Mercado e vários outros, Miraflores dispõe de uma boa rede hoteleira.

O distrito possui avenidas largas, ótimas praças e parques. Tem uma linda orla, caracterizada por um paredão (falésia) que margeia o Oceano Pacífico.


Alguns dos atrativos de Miraflores que mais nos chamaram a atenção são:


Malecón de Miraflores – é uma espécie de calçadão, com bonitos jardins, localizado nas “falésias”. Além de ter infraestrutura própria para passeio de bike e de skate, para caminhadas e corridas, e para crianças e pets brincarem, tem uma vista deslumbrante do mar. Nele estão vários parques consecutivos, cada um com uma característica própria.








Um desses parques é o Parque del Amor, que contém a famosa escultura “El Beso” e bancos e muretas ondulados coloridos, de ladrilho, com diversos poemas espalhados. Esses bancos/muretas me lembram um pouco os do Parc Güel, em Barcelona, cuja obra é de Gaudí. O Parque del Amor é um ponto bastante visitado por casais românticos e apaixonados.





Shopping Larcomar, localizado na beira do malecón. Pode parecer estranho viajar a Lima e visitar shopping. Mas o Larcomar vale a pena! É um shopping com arquitetura aberta e uma linda vista para o mar.



Parque Kennedy / Parque Central de Miraflores. Saindo do shopping Larcomar e seguindo pela Avenida José Larco, até o seu final, o destino será o Parque Kennedy / Parque central de Miraflores. Ali, além de encontrar muitos gatinhos fofos (e gordos!) pelos floridos jardins é possível desfrutar de muita comida de rua (em carrocinhas vermelhas) como picarones, churros, butifarras e arroz con leche y mazamorra morada.




Famosos picarones da Mary, em uma carrocinha típica de comida de rua limeña, no Parque Kennedy

(A Mary e seus picarones já apareceram na série Street Food, da Netflix)


Os famosos gatos do Parque Kennedy - xodós dos locais e turistas


No Parque, quase sempre tem um evento acontecendo, especialmente nos finais de semana. Artistas locais expõem suas pinturas e esculturas, volta e meia acontece alguma feira de artesanato, e ocorre apresentação de música ao vivo, em um anfiteatro ali localizado.



Também é comum encontrar mulheres nativas caracterizadas com um traje típico peruano, bem colorido, vendendo seu artesanato de forma ambulante.



Há, ainda, a bonitinha Iglesia Virgen de la Milagrosa que vale conhecer. Todo o entorno do parque é movimentado e agradável, com bastante comércio.



Sítio arqueológico Huaca Pucllana. São ruínas pré-incaicas, super bem localizadas em Miraflores - fica quase em frente ao hotel onde nos hospedamos. É preciso agendar a visitação com pelo menos 1 ou 2 dias de antecedência. No local tem um restaurante que, embora não tenhamos ido, é considerado de boa qualidade por muitos viajantes.



San Isidro


Distrito de mais alto padrão da província de Lima. Vizinho a Miraflores, possui ruas e calçadas largas, muito bem arborizado, bons cafés e restaurantes. Tal qual Miraflores, também possui uma orla bonita, embora bem pequena. É considerado um distrito mais financeiro e de negócios da capital, portanto, com hotéis e restaurantes mais sofisticados, porém, com menos atrativos turísticos do que Miraflores.


Entre os atrativos, destaco o lindíssimo e famoso restaurante Astrid y Gastón (a casa é bem bonita!), do chef peruano Gastón Acurio (ele de novo!) e o agradabilíssimo Bosque el Olivar, um parque cheio de oliveiras, lago e casas belíssimas dentro do parque.


Fachada do restaurante Astrid y Gastón

Detalhes arquitetônicos do restaurante Astrid y Gastón

Detalhes arquitetônicos do restaurante Astrid y Gastón


O Bosque el Olivar é totalmente aberto, sem grades, cheio de banquinhos e, embora esteja bem no meio urbano, é silencioso. Um baita refúgio! Nem parece que estamos na cidade! Foi declarado Monumento Nacional Peruano em 1959 e hoje conta com mais de 1600 oliveiras, muitas delas com mais de 1 século de vida, e mais de 30 espécies de pássaros catalogados.





Barranco


Fomos a Barranco uma única vez, a pé, para almoçar no Kjolle, restaurante da Pia León Kjolle, considerada a melhor chef mulher do mundo. Nesse dia, fomos caminhando desde a orla de San Isidro, passando por Miraflores, até adentrar Barranco. Uma bela caminhada, de cerca de 6 km, em um dos raros dias de sol na capital peruana.


Restaurante Kjolle


Apesar de ser considerado por muitos um lugar legal para ficar, achamos Barranco tumultuado para nosso gosto e estilo. As ruas, calçadas e praças são bem menos cuidadas do que em Miraflores e San Isidro. No entanto, tem uma parte que achamos agradável, com umas casinhas bem bonitinhas, construções com bela arquitetura e ruas charmosas, após a Puente de Los Suspiros, um dos principais pontos turísticos de Barranco.


Puente de los Suspiros


Sobre a Puente, não achamos nada demais, embora, descendo as escadarias, tenha uma boa vista para o Pacífico.


Um lugar que dizem valer a visita em Barranco é o Museo de Arte Contemporáneo de Lima. Passamos em frente a ele, bem na entrada do distrito, mas não entramos.



O bairro se destaca pela oferta gastronômica, com ótimos restaurantes, muitos deles ocupando belos casarões antigos, e pela boemia, com vida noturna movimentada.


Centro Histórico


Fundada pelo colonizador espanhol Francisco Pizzaro em 1535, Lima tem seu marco zero no centro histórico. O Centro Histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO -primeiramente, em 1988, o Convento San Francisco obteve esse reconhecimento e, em 1991, o título foi expandido para todo o centro histórico da capital peruana.


O lugar abriga mais de 600 construções históricas belíssimas como a Plaza Mayor (Plaza de Armas), que é considerada o local de fundação da cidade. A Praça abriga o Palácio Presidencial, a Câmara Municipal e a Catedral de Lima.




Próximo à Plaza Mayor está o imperdível Convento San Francisco (é, na verdade, igreja e convento), um lugar que vale a pena visitar! Tem visita guiada ao convento, paga, na qual inclusive é possível conhecer as catacumbas. A entrada na igreja é gratuita.



Interior da Igreja San Francisco


Imperdível também é a Plaza San Martín, inaugurada em 1921, na ocasião do centenário da independência do Peru. Nela se encontra um monumento em homenagem ao libertador General San Martín. A praça é cercada por belas construções históricas, incluindo o Gran Hotel Bolívar, o Teatro Colón e o Club Nacional.





Outra bela praça é a Plaza Bolívar, também conhecida por Plaza del Congreso ou Plaza de la Inquisición. Em frente a ela estão localizados o Palacio Legislativo / Edificio del Congreso e um lugar que dizem valer a pena visitar, mas que não fomos: o Museo del Tribunal de la Santa Inquisición. Ali, como diz o nome, funcionou o sombrio Tribunal da Santa Inquisição da Igreja Católica, estabelecido em 1570 e abolido em 1820.


São tantas as construções que é impossível listar aqui. Se quiser fazer as diversas visitações disponíveis, recomendo que reserve mais de um dia. Se for fazer duas ou três visitações e explorar o centro histórico, um dia inteiro é suficiente.


Circuito Magico del Agua / Parque de la Reserva


Não muito distante do Centro Histórico está o Parque de la Reserva, uma área de mais de 135 mil m2, localizada atrás do Estádio Nacional de Lima - para os amantes de futebol, nesse estádio aconteceu a primeira final de Libertadores da América em jogo único, entre Flamengo x River Plate, em 2019.


No Parque ocorre o circuito magico del agua, um espetáculo noturno que acontece diariamente, a partir das 19:00, e mescla água, som, luzes e música, nas 13 fontes espalhadas, e que atrai muitos locais e turistas. É preciso pagar entrada e os preços são populares.



Algumas fontes são interativas – como a Fuente de los Niños e a fonte Tunel de las Sorpresas – e possibilitam ao visitante brincar entre águas e luzes.




Museo Larco


Localizado no distrito de Pueblo Libre, o Museu Arqueológico Rafael Larco Herrera, conhecido por Museo Larco, é uma antiga mansão transformada em museu, que abriga uma incrível coleção de artefatos pré-colombianos, incluindo cerâmicas eróticas. Boa parte da história da civilização peruana é contada por esses artefatos.









Além de ter uma curadoria impecável, o espaço é lindíssimo! A casa conta com uma bonita arquitetura, um belo paisagismo e um charmoso restaurante.





Entrada do restaurante do museu


A sala de cerâmicas eróticas que fica próxima ao restaurante também merece sua atenção.





Para quem gosta de mergulhar na história e cultura dos lugares que visita, esse museu é imperdível!!!


Nos próximos posts falarei sobre nossas experiências gastronômicas em Lima.


E aí, estão preparados para ver tantas delícias?


Só falo uma coisa: é de babar!!!!




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