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Comida é Encontro

  • Foto do escritor: knoppglauco2
    knoppglauco2
  • 10 de out. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de mai. de 2023

Na minha biografia do blog, mencionei que eu já gostava de cozinhar, como hobby, mas que cursar uma Faculdade de Gastronomia, já mais maduro, transformou a maneira como eu enxergo e me relaciono com a comida.


Além de passar a ter um olhar mais técnico e gerencial, passei a compreender a comida em seus contextos histórico, político, social, econômico, territorial, sobretudo humano.


Transformar ingredientes que estavam em estado bruto na natureza em alimento para o homem, assim como o ato de alimentar-se (individual ou coletivamente), embora pareçam simples e natural, são dinâmicas tão ricas, complexas e encantadoras que merecem múltiplos recortes e olhares.


E meu olhar sobre a comida é de afeto. De comida como possibilidade de Encontro(s)!


Comida é encontro de pessoas

Quantas vezes não encontramos na comida, o refúgio e o afago necessários em meio ao caos ou às dores do cotidiano? É na pausa para a refeição que temos a oportunidade de nos encontrarmos verdadeiramente com o outro: com nossos pais, filhos e cônjuges; com irmãos ou familiares que não vimos há mais tempo; com vizinhos ou amigos com os quais desejamos estar juntos. Ao comer juntos, dialogamos; compartilhamos alimentos, histórias e afetos; estabelecemos conexões e reforçamos nossos laços.


Comida é encontro de costumes e culturas

O que comemos e como comemos expressam nossos costumes, moldados pela cultura do território no qual desenvolvemos nossas raízes. A comida que preparamos e consumimos expressa um pouco quem somos, de onde viemos, nossa identidade.


Por outro lado, a culinária é espaço que possibilita a mistura de ingredientes e técnicas, de diferentes povos e lugares, transformando-os em comida portadora de elementos e significados multiculturais. Nela, por exemplo, podemos empregar técnicas francesas a ingredientes mineiros, transformar um preparo estrangeiro com o uso ingredientes locais, misturar ingredientes típicos de diferentes localidades, entre outras coisas.


Na comida, as culturas e os costumes se encontram e se expressam.


Comida é encontro entre passado, presente e futuro

A comida desperta memórias, afetos e sensações. No cheiro que se espalha pela casa, ou na mordida que preenche o paladar, a comida é capaz de nos transportar ao passado, ativando lembranças de experiências que deixaram marcas significativas em nossas vidas. Comida é encontro entre presente e passado.


A comida, embora seja espaço de memória, de tradição e de permanência, também se transforma no tempo. Seja pelas mudanças nos equipamentos de cozinha, seja pelas modificações nos ingredientes, nas técnicas de preparo (quem nunca ouviu falar em gastronomia molecular?), nos hábitos de vida, ou até mesmo no gosto das pessoas, um mesmo prato se modifica ao longo da história, adaptando-se às necessidades do presente e acompanhando as tendências do futuro.


Comida é encontro consigo mesmo

Ao sentar-se à mesa para comer, precisamos nos conectar ao tempo presente para prestarmos atenção ao alimento que está sendo consumido: sua cor, aromas, textura, sabor... Também é momento de dedicar tempo a si, para que se possa não só nutrir o corpo, mas alimentar a alma, deleitando-se com o prazer de saborear uma boa comida.


Eu, carioca de nascimento e mineiro por opção, encontrei na cozinha das Minas Gerais a comida de acolhimento e de encontro entre pessoas. A comida de tradição que se transforma e inova sem perder sua essência.


Foi aqui que encontrei a relação de respeito, quase devocional, do seu povo com a comida. Aqui encontrei espaço para realizar o encontro entre minha cultura alimentar e a cultura local, numa espécie de sincretismo que tem agradado a gregos e a troianos - ou, pelo menos, a muitos mineiros e alguns cariocas com os quais convivo.


Foi na comida que me encontrei e, como eterno aprendiz de cozinheiro, quero fazer da minha comida oportunidade de múltiplos encontros para amigos, familiares e comensais.

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